Processos…

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2017 foi um ano em que me senti estagnada em relação ao amigurumi. Após o meu aprendizado em 2016 sobre a técnica, primeiras receitas desenvolvidas, experimentações, coisas que abandonei, coisas que deram errado, feiras, várias encomendas de Natal, mãos e pulsos doloridos …eu finalmente me perguntei “o que estou fazendo?!”. É claro que essa pergunta me paralisou.

Eu não cresci com uma herança dos trabalhos manuais na família, foi na vida adulta que me deparei com essas criaturas fofas e elas me levaram finalmente a aprender a técnica e descobri: é genial. Matemática combinada com texturas e movimentos. Não é a toa que vicia e você quer então fazer tudo e o inimaginável de crochê! E  pode, mas será que deve?

O crochê é uma técnica lenta e pode causar lesões, já comecei vários projetos que desisti porque no meio do caminho eu não encontrava mais sentido… Era preciso buscar significados. Nessas pesquisas e leituras descobri que há muitos caminhos, você pode pensar em coisas mais funcionais do dia a dia, pode fazer arte, pode fazer protesto. Fiquei paralisada de novo…

Antes de entrar em 2018 fiz um balanço e reconheci alguns ganhos:

– passei a ser mais respeitosa com meu próprio processo e com a técnica e isso me levou a encerrar encomendas de coisas que não eram do meu estilo ou que eu tinha que recorrer a receitas de outros artesãos/designers.

– entendi a forma que eu mais gosto de modelar e que talvez não seja o mais apropriado pra um brinquedo infantil. E que o brinquedo infantil não é a única solução pro amigurumi.

– reconheci os materiais, fio, agulha e tamanhos de projeto que gosto de trabalhar, assim ao final do ano voltei à agulha 2,5 mm e ao amigurumi que cabe na mão e vou alternando entre projetos de tamanhos diversos sem mais problemas . (sobre a questão do tamanho é sempre um conflito com clientes. A mesma receita feita com fios de espessura diferentes geram tamanhos diferentes de amigurumi, mas o trabalho e o tempo foi muito similar.)

– finalmente: também aprendi a respeitar esses conflitos e pausas, eles me levaram a questionar, ler, buscar e amadurecer.

O manual foi e ainda é algo transformador pra mim. Estando com a agulha na mão criei empatia pelo trabalho de outras pessoas, fiquei mais crítica em relação a hierarquização entre Arte e artesanato, mudei hábitos de consumo e mesmo de alimentação. Em 2018 quero que essa transformação continue e não tenho mais medo de mudar de vez em quando meu caminho.

 

*Agradecimentos à Bianca Moraes (Two Bee) e à Cris Bertoluci pelas referências e respostas cedidas gentilmente  ❤

 

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